Luli, Pedro, Bruno, eu e Ravi. Gerações de Anilados. |
Neste domingo, em Lajeado o Noia perdeu o jogo da final da
Supercopa Gaúcha – sim, uma das copas do
mundo do interior. Perdeu a chance de mais um título. Perdeu a tão desejada
vaga na Série D, dívida que fica para a diretoria com seu torcedor. Mas também perdemos
algo comum neste tipo de situação: o sentimento de perda, de derrota. Não éramos
favoritos, sabíamos da superioridade do Lajeadense, que, apesar da pouca
tradição, é um time que vem mostrando uma sequencia admirável no seu trabalho
nessa mesma difícil missão que o Anilado de fazer futebol profissional no Rio
Grande Grenal do Sul. Tínhamos noção clara, portanto, de que era difícil, mas o
sentimento da derrota se perdeu não por conformismo – até porque na hora em que
o apito trila a esperança reaquece e é a última que morre enquanto ainda se
peleia -, foi, na verdade, porque mesmo com todas as contrariedades e contra as
probabilidades estávamos lá, nós, Anilados. Abaixo do sol, longe de casa, sem
chance, mas estávamos lá. Os matreiros, copeiros e bagaceiros, amigos abraçando
amigos, avôs encontrando netos alheios, recém nascidos encontrando pais de longa
data. E na alegria do gol Anilado de Rafael, de falta, abrindo o placar e as
esperanças miraculosas, o Ravi, meu filho, virou amuleto. É pé quente! E depois
do empate? E depois da virada adversária? Pois virou guerreiro. Pois estava lá
sorrindo, ignorando o resto porque o principal estava ali a seu alcance: uma
família de cor azul e branca toda pra ele, lhe abraçando, lhe jogando, mesmo do
fundo de uma tristeza de um tento perdido, um sorriso, umas palmas, ou mesmo um
bufar de quem ensina que se perde uma, mas na próxima se está de volta. É disso
que é feito o verdadeiro futebol, o true, que não se resume a uma disputa
egocêntrica de troféus e que deles depende pra ter seu torcedor. Aqui é o
contrário, o torcedor vem antes. E disso se faz uma vitória: um time ter uma
torcida, ainda que modesta, mas sincera e fiel. Fomos, fizemos nossa parte, sem
desistir. Esse é o sentimento que fica. Nunca se perde quando se compartilha
tão intensamente de uma certeza. Noia, sempre contigo estaremos, para nós, és o
primeiro. Força, Noia! Dale, Noia!